Residência Artística 2016

Vanessa Rodrigues

Vanessa Rodrigues
Bio

Vanessa Rodrigues nasceu em Santos em 1985. Formada em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos, cursa pós-graduação em Fotografia pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), trabalha para o jornal A Tribuna de Santos desde dezembro de 2009 e há dois anos fotografa para o suplemento dominical AT Revista. Alí suas lentes registram editoriais e desfiles de moda, personagens e entrevistas para matérias de comportamento. Foi vencedora do VIII Prêmio Baixada Santista Através das Lentes, em 2009, na categoria profissional. E paralelo ao dia a dia do jornal, dá continuidade ao projeto autoral que registra a condição de vida das idosas que moram nos cortiços de Santos. Começou a carreira como repórter-fotográfica em 2007. Trabalhou no departamento fotográfico da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Santos e fez freelas para a agência Futura Press e Diário do Litoral.

Realizou o estudo poético da imagem durante a Pós-Graduação em Fotografia pela Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP). Além de cursos e workshops nas principais escolas de fotografia de São Paulo e concluir cursos teóricos na área no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Já realizou quatro exposições coletivas em eventos ligados ao Fotojornalismo da região; além de participar da exposição em formato lambe-lambre sobre os trabalhadores do Porto de Santos por meio do coletivo Nitro durante a programação do Encontro de Coletivos Latino Americano.

O projeto

trezeMARIAS

Mais de 14 mil pessoas vivem nos cortiços de Santos
Mais de 1 mil são mulheres acima de 60 anos.
Treze delas são as Marias.

As Marias, que represento na instalação audiovisual, são moradoras de casarões erguidos no fim do século XIX, durante o ciclo áureo do café em Santos. Estes lugares fazem parte da construção da memória visual da cidade. Além da arquitetura, estas moradias carregam, na imagem crítica, as histórias e o tempo-espaço de treze mulheres com mais de 60 anos, que vivem em um mundo atrás das fachadas, portas e janelas. Esquecidas pelo ritmo acelerado de uma cidade que avançou para o mar e deixou, para trás, os sonhos delas.

As narrativas por meio do som permitem encontros, descobertas e experimentação do espaço. Ela abre as portas e janelas fechadas de concretos e reconstrói o próprio imaginário por meio dos vestígios nos objetos, quartos, fachadas e fragmentos do corpo das Marias, sem revelar quem elas são. Os sussurros, muitas vezes afastados pelo progresso, trazem no signo verbal a capacidade de imaginar e despertar o mecanismo de remissão ao passado e de antecipação do futuro. O contemporâneo permite ouvir os sussurros e as vozes do passado.

trezeMARIAS possibilita a poética contemporânea. Ao olhar para o arquivo fotográfico deste processo, ouço vozes. Vozes imaginando um tempo que ficou marcado nas paredes desses imóveis, construídos no ciclo áureo do café. Vozes que saem desse campo arqueológico, da história e da memória que este espaço carrega. Vozes das Marias que gritam, choram e sonham. De um banheiro próprio. E de um lugar limpo para ser chamado de seu.

As vozes são ouvidas por poucos. Poucos que param e olham para o lado. É um simples gesto, mas olham para a história e para o sonho de pessoas que querem um lar.

Orientadores do projeto:
Ananda Carvalho orientadora conceitual
Marcelo Bressanin e Pedro Ricco, da Cult Robot, como orientadores técnicos som
Bruno Arrivabene e Victor Allencar, da Dois Pontos Filmes, como orientadores técnicos vídeo

Processo Work in Progress